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Queijo
do Sêrro Caseiro
O
Queijo do Serro originou-se na cidade do Serro, localizada na região do Alto
Jequitinhonha, em Minas Gerais. É uma cidade pequena, com ruas estreitas e
ladeiras calçadas com pedras, cheias de casarões com fachadas coloniais e
velhas igrejas, formando um conjunto arquitetônico extremamente singelo e que a
tornou uma das mais famosas cidades históricas mineira.
Este
queijo possui um formato cilíndrico, com aproximadamente 14 cm de diâmetro e
altura variando de 4 a 6 cm. Sua casca é normalmente esbranquiçada tendendo a
se transformar numa crosta fina e amarelada quando o queijo é curado por alguns
dias. Internamente a massa é branca e consistente, às vezes, ligeiramente
quebradiça.
O
queijo apresenta sempre aberturas mecânicas de pequeno tamanho e não raramente
diversas e pequenas olhaduras irregulares. Seu sabor é bastante típico e
acentuadamente mais ácido que o do queijo Minas industrial.
Tecnologia
de Fabricação
Segundo
tecnologia descrita por Múcio Mansur Furtado, para a fabricação do queijo do Serro, utiliza-se sempre
leite cru, que é normalmente coado. O volume de leite é variável de sítio
para sítio, raramente ultrapassando a 500 litros, com a média situando-se por
volta de 100 litros.
O
leite é conduzido à "queijaria" em baldes e/ou latões e colocado em
uma espécie de tina metálica, com ou sem tampa, dotada de um registro ou
torneira na sua parte inferior. A "queijaria" pode ser, desde um cômodo
ligado à casa ou ao curral, até uma peça preparada especialmente para a
fabricação, acimentada e com paredes parcialmente azulejadas. O leite não
sofre nenhum aquecimento ou resfriamento e é coagulado à sua temperatura
natural.
Assim,
na região, observa-se um tempo médio de coagulação de uma hora variando para
mais no inverno e para menos no verão. O coalho é adicionado (conforme indicação
do fabricante para coagular em uma hora) ao mesmo tempo em que o
"pingo" (1 a 2 litros para cada 100 litros de leite) mesmo porque é
normalmente dissolvido nele.
Após um período de uma hora, a coalhada está
formada e mesmo estando ainda ligeiramente branda, é quebrada com as mãos,
pelo próprio queijeiro; formam-se pedaços irregulares de coalhada e o soro é
ligeiramente leitoso. Dá-se um período de 15 minutos de repouso, após o qual
a massa é novamente revirada com as mãos, deixando-se decanta-la
novamente.
Com
um balde, eliminam-se aproximadamente 2/3 do soro. Estando as formas colocadas
sopre a banca a massa é coletada manualmente no fundo da tina e levada à
enformagem, sendo as formas enchidas gradualmente, uma a uma. A forma de madeira
praticamente não é mais usada, sendo adotada atualmente a forma de metal ou de
plástico, sem fundo. Com as mãos o queijeiro comprime a massa cuidadosa e
lentamente em cada forma.
Em
seguida revira novamente a massa em cada forma e coletando mais na tina,
completa cada uma delas, seguindo-se nova compressão com as mãos. Enquanto
houver massa na tina esta operação é repetida e após a última, todo o
conjunto de formas é lavado com água corrente.
São
então as formas viradas sobre a banca, e sobre a face superior do queijo é
colocado sal grosso em quantidades abundantes. Sendo todas estas operações
realizadas pela manhã, os queijos são deixados dentro das formas, na mesma
posição, até à tarde.
Os
queijos então são novamente virados e abundantemente salgados com sal grosso.
Ficam na mesma posição até o dia seguinte, dispostos em fileiras sobre a
banca. Neste período, então, o soro que escorre do queijo é conduzido nas
canaletas da banca e pinga em uma vasilha vindo a se constituir o “pingo”
que será empregado como fermento natural na fabricação do dia seguinte.
Pela
manhã, os queijos são retirados das formas e após serem colocados para lavar
em água corrente, vão para as prateleiras de madeira, situadas geralmente na
própria queijaria, ao lado da banca. O sal excedente é reaproveitado quando não
há fermentação do queijo.
Ali
os queijos são deixados, com viragens regulares até a segunda-feira de cada
semana, quando então são transportados em caixas plásticas ou mesmo em
balaios, para a cidade, onde são comercializados.
O
rendimento da fabricação é médio, de maneira muito rudimentar, mas podemos
deduzir que varia de 7,5 litros/kg no inverno, quando são feitos queijos mais
úmidos, e 10 litros/kg no verão, quando são feitos queijos mais secos e
normalmente o extrato seco do leite é inferior ao do período das secas.
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