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CONSIDERAÇÕES
GERAIS
O
queijo Gorgonzola originou-se no Vale do Pó por volta de
880 da Era Cristã.
É
também conhecido com o nome de Stracchino di Gorgonzola,
e o principal queijo com “veios azuis-verdes” da
Itália.
É
assim denominado por sua fabricação ter sido originada
na pequena Vila de Gorgonzola, próxima a Milão. A
região que concentra a maior fabricação do produto
está na Lombardia e no Piemonte, grandes centros de
processamento industrial do produto.
Geralmente
é produzido em maior escala nos meses de setembro e
outubro, pois as condições climáticas do inverno
europeu são propícias para o processo de cura dos
queijos.
Cavernas
de cura são construídas nas escarpas rochosas dos Alpes,
especialmente perto de Lecco, e recentemente, a produção
se estende durante todo o ano.
É
queijo macio, gordo, de massa crua, produzido
exclusivamente com leite integral de vaca, possui formato
cilíndrico, é alto, reto com face plana, dimensões:
altura - 16 a 20cm e diâmetro - 25 a 30cm.
Sua
crosta é áspera, rosada, revestida com papel alumínio
quando pronta para consumo, seu peso médio, por forma é
de 6 a 13 kg, a massa úmida de cor branca ou amarelada,
é matizada pelo desenvolvimento de mofo.
Seu
sabor é ligeiramente picante, e a gordura no extrato seco
é de 48% (mínimo).
TECNOLOGIA
DE FABRICAÇÃO
Segundo
a tecnologia adaptada de José Mauro de Moraes e Luiz
Cláudio Gomes de Freitas, deve-se pasteurizar o leite
fresco (com 3,4 a 3,5% de gordura) e aquecê-lo a 30°C.
Adiciona-se o fermento, uma cultura termofilica (Lactobacillus
bulgaricus e Streptococcus thermophilus), com acidez
de 100 a 120°D.
Adiciona-se
também, 0,05% de uma cultura de Streptococcus
diacetilactis, cuja finalidade, além de produzir
ácido, é promover a abertura da massa, uma vez que este
microorganismo produz gás. A abertura da massa, auxilia o
crescimento do mofo no interior do queijo. Entretanto, o
queijeiro deve ficar atento ao problema de excesso de
produção de gás pelo Streptococcus diacetilactis,
que pode produzir defeitos no queijo.
A
adição de fermento ao leite aumenta a acidez de 1,5 a
2,0°D. Após o fermento, adiciona-se o mofo (Penicilium
roqueforti).
A
quantidade de mofo (penicilium)
a ser
utilizada depende
de sua própria atividade.E que
fatores inerentes à
tecnologia
de fabricação e às condições de maturação também
afetam o desenvolvimento do mofo.
Dentre
eles, ressaltam-se a umidade relativa do ar, a temperatura
de maturação, a disponibilidade de oxigênio e o pH da
massa. Como referência, 1,0g de mofo (Penicilllum roqueforti)
é suficiente para 1.000 litros de leite.
A
seguir, sob constante agitação, adiciona-se o coalho de
modo a obter a coagulação em 15 - 20 minutos (3g de
coalho comercial 1:40.000/100 litros de leite).
A
coalhada é cortada quando estiver firme e de modo a obter
cubos de 3 a 4 cm de aresta.
A
seguir, deixa-se a massa em repouso por cerca de 5
minutos. O soro adquire coloração esverdeada.
A
seguir, faz-se uma mexedura, lentamente, de modo a
diminuir a perda de proteínas e gordura no soro e reduzir
o tamanho dos grãos ao de uma azeitona. Esta agitação
toma cerca de 5 minutos.
Deixa-se
então a coalhada repousar no fundo do tanque por 10
minutos, a fim de facilitar a dessoragem e depositar toda
massa caseosa. A acidez do soro deverá ser de 12,5 a
14°D, após o repouso.
Após
retirar cerca de 1/3 do volume de soro, com sifão ou
bomba, procede-se à extração da massa.
Em
um estrado forrado com tela de nylon, esta é coberta com
um pano de queijo que permita o fácil escoamento do soro.
Deixa-se então, dessorar a coalhada, até adquirir
consistência firme que permita a enformagem.
A
enformagem é feita colocando-se nas formas camadas
alternadas de massa e sal. O sal é aspergido de tal forma
que sua proporção no leite seja de 1,1 kg/100 litros de
leite, o que corresponde a 6-7% de sal na massa no momento
da enfermagem.
São
utilizadas duas formas para cada queijo com diâmetro de
20 cm, altura de 13 cm. Uma delas é completamente cheia,
enquanto que a outra é completada somente até a metade.
Após
5 minutos vira-se a forma mais cheia sobre a que contém
menor volume. Isto promove a ligação das duas massas.
Após meia hora, efetua-se a segunda viragem. A seguir,
efetuam-se mais 3 viragens com intervalos de uma hora. O
queijo é então deixado de um dia para o outro, quando
será novamente virado. O pH naquele momento deverá ser
de 5,2.
Quando
o queijo não perder mais soro, inicia-se a salga. O sal
é espalhado na face superior do queijo e na lateral.
A
segunda salga é feita no dia seguinte, salgando a outra
face. Repete-se a operação, por mais 2 ou 3 dias. A
salga é realizada a 22-24°C e com umidade relativa do ar
a 90%.
Antes
de se iniciar a salga diária, é necessário remover bem
a camada viscosa formada sobre a superfície do queijo.
Após o sal ter sido distribuído, esfrega-se a
superfície salgada com um pano, de modo a distribuir
igualmente as gotículas de água formadas em
conseqüência da higroscopia do sal.
Após
o fim da salga, as formas do queijo são limpas e
colocadas na câmara de maturação. A cura compreende
três fases: secagem, maturação e conservação, que se
efetuam em locais separados onde a umidade e a temperatura
são os principais fatores a serem controlados.
A
secagem efetua-se em local limpo, bem ventilado, à
temperatura de 10-15°C e umidade de 80%. Durante esta
fase, que dura de 5 - 10 dias, o queijo é virado uma vez
a cada dia ou de 2 em 2 dias.
Segue-se
a fase de maturação. A temperatura, deve ser mantida a
5-7°C e a umidade a 90%.
Após
15-20 dias da fabricação, os queijos são perfurados. A
superfície deve ser raspada e limpa.
A
seguir, por meio de máquina própria ou manualmente,
perfuram-se os queijos em ambas as faces. Isto permite a
introdução de ar no interior do queijo, o que constitui
um dos fatores indispensáveis para o desenvolvimento do Penicillium.
No
caso de haver dificuldades em obter umidade elevada na
câmara de maturação, cria-se um microambiente
individualizado para cada queijo. Para isto, coloca-se um
saco plástico semi-rígido sobre cada queijo.
A
evaporação do próprio queijo satura de umidade o
ambiente, e a alta umidade necessária à maturação do
Gorgonzola é obtida.
A
maturação termina quando a massa do queijo torna-se
macia, apresenta coloração amarelada, intensa e extensa
ramificação do crescimento do mofo, sabor ligeiramente
picante e crosta rosada tendendo a rachar. Assim o queijo
está pronto para o consumo, dois meses após a
fabricação.
No
caso do produto não ser imediatamente comercializado, ele
poderá ser conservado em local de baixa temperatura
(2-4°C), e umidade de 95%.
Respeitando-se
estas duas últimas condições, paralisa-se a atividade
microbiana e evita-se a evaporação.
O
Gorgonzola pode ser seccionado ao longo de sua
circunferência em duas partes iguais. A seguir, estas
fatias são envoltas em papel alumínio.
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